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O que é o “gênero-fluido” segundo uma criança de 8 anos

Quando Ricky Suman precisou de um jogador para o time de futebol de 10 e 11 anos, ele encontrou Adam Scott de 8 anos. Scott jogava no centro, defesa e em qualquer posição da linha. De todos os jogadores de 8 e 9 anos, Scott mostrava um talento natural e uma ética muito sólida.

“Esse garoto ama futebol”, dizia Suman. “Minha grande questão com Adam é que ele aprendia tão rápido que podia jogar em qualquer posição.”

Alem de jogar futebol tão bem, também há algo especial sobre Scott: como uma criança de gênero-fluido, alguns dias Scott é Adam e alguns dias é Abby. Pessoas gênero-fluido não se identificam com um gênero. No campo de futebol ou em uma luta, Scott é sempre Adam. A mãe de Scott, Sara Markusic, chama a criança de Abby.

Adam/Abby e sua mãe.

Adam/Abby e sua mãe.

Scott nasceu uma menina e foi chama Abby. Aos 2 anos, passou a se identificar como um garoto. Cerca de 30% do tempo, Scott é Abby e os outros 70% é Adam. Dr. Deborah Gilboa, especialista em parentalidade, diz que crianças desenvolvem sua identidade de gênero entre os 2 e 5 anos de idade; é natural que Scott compreendeu sua identidade de gêneros 2 anos, mesmo que incapaz de explica-la.

Entretanto, após ter seus cabelos cortados e ter pedido para ser chamado de Adam no futebol e na luta, sua mãe diz que ele ficou muito mais confortável.

“Ela apenas começou  a permitir que as pessoas a chamassem de Adam, apesar de ja ter escolhido o nome há 2 ou 3 anos”, diz Markusic. Após pedir para ser chamado de Adam “ela se abriu”.

Scott vive na zona rural de Monaca, Pennsylvania, cerca de 25 milhas a nordeste de Pittsburgh, com uma população de menos de 7000 pessoas. Futebol existe de uma maneira muito popular há muito tempo. Na verdade, Adam/Abby Scott estrela um reality show na TV local que fala sobre os jovens que jogam futebol no oeste da Pennsylvania.

Markusic se preocupou que as crianças e outros pais pudessem julgar ou ofender, mas todos foram muito suportivos.

“Tudo isso foi muito novo para mim. Eu nunca tinha ouvido falar nesse termo. Eu nunca havia conhecido crianças tão jovens passando por algo como isso”, diz Suman.

Mas isso não fez Suman se sentir diferente.

“Se voce quer ser Adam, voce pode ser Adam. Isso não vai alterar a minha visão sobre voce. Voce ainda esta aqui para jogar futebol.”

“Nunca houve bullying pois metade daquelas crianças, Scott trataria como um homem” no campo de futebol, diz Suman, adicionando “Não faz nenhuma diferença… Essas crianças são muito unidas.”

 

Uma criança na escola questionou Scott por ir ao banheiro feminino, mas a professora conversou com essa criança, acabando com qualquer possibilidade de bullying.

“Ela nunca teve nenhum problema. Eu estava na verdade chocada…” diz Markusic, que se refere a sua criança em pronomes femininos, com a aprovação de Adam/Abby. “Monaca é uma comunidade pequena e unida, onde todos sabem sobre todos e eu senti que mesmo que eles tivessem um problema eles não diriam nada, com medo da reação das pessoas que são suportivas.”

Sua cor preferida é o azul brilhante.

Sua cor preferida é o azul brilhante.

“Eu não sabia que tinha uma criança gênero-fluido e essa criança vivia em minha casa por 6 anos. Se eu soubesse disso quando ela tinha 3 ou 4 anos eu saberia como ajuda-la, como dar o suporte. Ela é minha filha, eu a amo e a aceito.” diz Markusic.

James Scott, marido de Markusic e toda a comunidade parece suportar Adam/Abby de maneira muito bonita.

 

Fonte: Meghan Holohan, TODAY Contributor

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