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Transexualidade – Patologização x Despatologização

Histórico da patologização:

A transexualidade é atualmente considerada pela maioria dos profissionais de saúde como uma psicopatologia referente à identidade de gênero. Isso teve início em 1966, quando o endocrinologista alemão Harry Benjamin, em seu livro “O fenômeno transexual”, forneceu as bases de diagnóstico a partir de alguns indicadores que iriam definir se as pessoas que chegam às clínicas ou aos hospitais solicitando a cirurgia se enquadram no que seria “o verdadeiro transexual”. Ele defendeu a cirurgia de transgenitalização como a única alternativa terapêutica possível para essas pessoas. Assim, em 1969, foi realizado em Londres o primeiro congresso da Associação Harry Benjamin.
Em 1973, graças a John Money, a transexualidade passou a ser considerada “disforia de gênero” e a partir daí, a associação passa a se chamar Associação Internacional de Disforia de Gênero Harry Benjamin (HBIGDA). Ela foi legitimada como uma das associações responsáveis pela normatização do “tratamento” para pessoas transexuais em todo o mundo, e publica, regularmente, as Normas de Tratamento que orientam profissionais que trabalham com transexualidade (Standards of Care – SOC, atualmente em sua 6ª versão).
Além deste guia, dois outros documentos oficiais são utilizados na orientação do diagnóstico de transexualidade: o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM – 4ª versão), e o Código Internacional de Doenças (CID, em sua 10ª versão).
O DSM, publicado desde 1952 pela Associação Psiquiátrica Americana (APA), serve de guia para hospitais e seguradoras de saúde ao redor do mundo. Nele, a transexualidade é classificada como uma disforia. O CID, elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a define como “transtorno de identidade de gênero”. Na França, porém, ela não é considerada mais uma patologia graças à ação do Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros.

O debate:

O debate sobre a patologização X despatologização da transexualidade é atravessado por polêmicas e contradições.

No Brasil, é exatamente o fato de ser classificada como disforia que permite que a cirurgia seja feita gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. Desde 1997, o procedimento é autorizado pelo Conselho Federal de Medicina como solução terapêutica para adequar a genitália ao sexo psíquico. Essas intervenções cirúrgicas só são possíveis se atenderem a critérios estabelecidos por uma resolução do Conselho de Medicina. É necessária uma equipe composta por psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social deve produzir um laudo unânime sobre a necessidade do procedimento.
Considerar o gênero enquanto uma categoria diagnóstica tem como desdobramento a formulação de um protocolo rígido. Antes de chegar ao diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero”, condição para realização das alterações corporais e dos documentos, o(a) demandante deve fazer terapia psicológica por  no mínimo dois anos, vestir-se com as roupas do gênero identificado, além de iniciar a hormonoterapia. Isto faz com que as opiniões no cenário nacional se dividam.

Enquanto alguns defendem a despatologização da transexualidade e procuram chamar a atenção para como, segundo eles, uma categoria cultural foi apropriada pelo poder médico, transformando-a em uma categoria diagnóstica, outros consideram que defender a despatologização por si só seja perigoso, uma vez que, no Brasil, a saúde vem se constituindo a principal política social que busca incluir um maior número de transexuais no país. O custo das intervenções médico-cirúrgicas é extremamente caro fora do SUS.
Professora do Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ) e coordenadora da “Pesquisa Nacional sobre Transexualidade e Saúde: condições de acesso e cuidado integral”, a pesquisadora Márcia Arán afirma que a necessidade do diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero” como condição de acesso à saúde restringe em muito os processos de cuidado. Segundo a pesquisadora, é necessário construir uma noção mais ampliada de saúde, baseada na individualização do cuidado e na integralidade da assistência para que se possa acolher de fato as necessidades de saúde desta população.

Fonte: http://aquendamona.wordpress.com/2011/04/25/patologizacao-x-despatologizacao/духи bulgaryоптимизация продвижение сайтовкупить видеорегистратор в москвеD On/Offmoney ratesbest time of year to climb mount kilimanjaroкупить жесткий дискspelling of queriesblackvue buyЗарядные устройства для планшетов

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